Doeu, sim!

Vacina

Oi gente,

Ainda me lembro bem dos dias em que as vacinas eram nessa pele que vos fala. Quem se esquece de tamanho trauma de infância?! Ainda consigo ouvir minha mãe dizendo: não dói, não dói.

Doeu, sim!

E deve ser por isso que até hoje me pego suando frio e com dor de estomago quando preciso tirar sangue ou alguma injeção. Pra coisa toda rolar, preciso estar deitada numa maca, e com o marido do lado. Sem brincadeira.Tenho pavor de agulhas. Achava que desmaiava só por conta da picada, mas não.  Já me peguei caída no chão depois de ver minha mãe fazendo exame de sangue.

 

Melhor não arriscar. E desde que Giulia nasceu, há treze anos atrás, e Maria há cinco, de duas uma: ou eu seguro a criança, fecho os olhos e espero o choro do touro bravo, ou quem entra na sala das vacinas é o pai e eu fico lá fora só ouvindo os gritos. E chorando, claro.

É! Minha tensão passa pra elas e o medo deste momento é compartilhado e solidário.

 

Mas uma coisa eu aprendi nessa maternidade, que dói menos quando falamos a verdade e somos sinceros com nossos filhos.

 

Hoje em dia está mais tranquilo, mas quando pensava na ideia de uma agulha, ou várias, entrando nas perninhas dos meus babys eu abria a boca a chorar. Me sentia partindo ao meio. Até mesmo culpada! Como se tivesse fazendo algum mal pra elas. Como doía. Nenhuma mãe, ou pai, deve estar emocionalmente preparado pra isso. E olha que no primeiro ano de vida a gente tem a impressão de que eles vão virar uma peneira, de tantos furos.

Nos primeiros meses, enquanto a enfermeira aplicava a vacina, eu amamentava Maria no peito, mas um certo tempo depois, só de pisar na clínica, ou no posto de saúde, ela já sabia o que estava por vir, e com os olhinhos alertas não permitia ser ludibriada por teta ou brinquedinho algum. Ambas sentíamos a tensão. Ambas sofríamos juntas.

Segura sua onda, mamãe. Como manter a tranquilidade nessa hora? Com o tempo a gente aprende. Com o tempo, amiga.

 

Uma dica: não avise seu filho com muita antecedência, não faz sentido. É desnecessário. Deixe para o dia. Ou algumas horas antes. Em hipótese alguma deixe pra avisar lá na porta da clínica, assim você também evita um possível show com direito a desconfiança eterna do seu pequeno.

Nem prometa presentes depois. Eles não seguram a onda não. Na próxima vez, vai ser pior. Conversa e conversa. Sempre.

 

Por sorte, em todas as consultas e picadas, marido estava junto. Nós estamos sempre juntos nesses momentos. E sinto que a segurança das meninas é suficientemente positiva nesses momentos. Elas confiam na gente. Vale a pena cada atestado de acompanhante na mesa do marido.

 

Hoje foi dia da vacina de cinco anos da Maria. Três! Duas no braço e uma gotinha. E eu devo confessar que nem me lembrava dessas ditas-cujas. Graças a Deus existe um anjo chamado pediatra. Maria tem rinite e hoje foi dia de consulta, pois ela anda dando as caras nesse tempo doido.

 

“E a vacina dos cinco já deram?!”

 

Minha cara de menasmain vai no chão.

 

Maria parece estar distraída com os brinquedos do consultório, mas logo seu radar apita e ela reage: vai doer?

 

“Vai sim filha! Uma picadinha dolorida, é verdade. Mas rápida! E nós estaremos todos juntos.”

 

Meu coração sente que assim dói menos, em todos.

 

E no colinho, um do outro… ficaremos bem.

 

 

Com amor,

 

Nah!

 

P.s: Cobertura completa lá no Snap NaPiassentini

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