Quem vem primeiro, família ou trabalho?

E na frente das nossas filhas, ouvi meu marido inconformado dizer com lágrimas nos olhos: “até quando vamos ser deixados de lado por causa do seu trabalho?”

Era por volta das dezenove horas de uma quinta-feira quente de verão, todos em casa, eufóricos e cheios de energia, inclusive eu, que estava sentada na frente do computador produzindo conteúdos para um importante cliente há horas, e motivada a terminar lá pelas bandas do começo da madrugada. Eu estava tão focada que não pude perceber, estava tão envolvida, e nem me dei conta do tempo que estava distante, do tempo que aqueles três estavam sozinhos na sala, do tempo que os engolia implorando por atenção.

Aquelas palavras foram um balde de água quente na minha alma, que instantaneamente descongelou um coração de pedra que pensava que estava fazendo o certo, que pensava que estava arrasando na vida com alguns dígitos a mais na conta bancária, com brinquedos e roupas novas a mais no armário, mas muitos momentos e lembranças a menos com quem mais importava.

Eu me senti a pior pessoa do mundo! Como pude ser tão egoísta? Minha prioridade ao abrir mão da minha carreira na psicologia era minha família, era a não terceirização do crescimento delas, e principalmente da Maria, da menor, que ficou em casa exclusivamente comigo até os três anos de idade. E o que eu estava fazendo agora?Embora o trabalho Home-Office tenha sido minha melhor escolha pelas minhas filhas, eu reconheço que ás vezes é difícil conciliar tudo e todos com horários e prazos, e na rotina, podemos perder o foco do que realmente é prioridade.

E eu perdi! Perdi a consciência de onde realmente estava meu tesouro, e estava colocando meu coração em coisas passageiras, em coisas que se vão com o vento, e perdendo meu tempo desorganizado com a falta de foco no essencial. Eu queria ganhar e ganhar, crescer profissionalmente, ser reconhecida, ser “O cara” no trabalho, nem que pra isso custasse perder meu bem mais precioso. Ganhei dinheiro, mas perdi passeios, sorrisos e sorvetes embalados a lembranças que o dinheiro jamais vai comprar.

Às vezes, é apenas uma questão de parar, respirar um pouco, olhar em volta e observar o equilíbrio das coisas. Corremos tanto atrás de tantas coisas, e é importante correr atrás sim, porém, não podemos abrir mão do tempo que escorre por nossos dedos só pensando em bens, em marcas, em ter isso, ter aquilo. Tudo tem hora certa, tudo tem seu tempo, e quando se trata do tempo com nossos filhos ele é tão curto.

A família é o alicerce da nossa existência, a família é lugar de aconchego, de amparo, de atenção, respeito, onde o caráter dos nossos filhos é construído, e ninguém pode fazer isso por eles a não ser nós, os pais.

É fundamental que nossos filhos olhem pra gente e percebam que não somos super heróis mesmo, mas somos super pais, super presentes, alguém que está disposto a dar a vida, a abrir mão de coisas pela família, abrir mão por eles enquanto ainda é tempo!

Deixei de lado aquele projeto até o dia seguinte, afinal, ele sim poderia esperar!

 

Quem vem primeiro, família ou trabalho? Desde aquele dia, não tenho opção, e nem quero! Esse texto já tem alguns anos, mas ainda soa tão atual. Por vezes, me pego com um puxão de orelha do marido: “ei, estamos aqui”, e volto logo para meu papel principal, aquele que só eu posso fazer, aquele plano A, a prioridade: minha família!

 

“Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel.”1 Timóteo 5:8

 

Com amor, Naty

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