Toda mãe merece ser mulher

Ser mãe me trouxe à vida. Foi realmente algo transformador, inimaginável e imensurável. Deixei a Natália de lado e me tornei mãe.

É a experiência mais surreal, desconcertante e parecida com um sonho que já me aconteceu. A melhor fatia do bolo, com certeza.

Mergulhada num turbilhão de emoções, instinto materno, leite, fraldas e substâncias do amor passamos um longo período como bicho lideradas por nossos instintos mais inatos e primitivos protegendo, lambendo e vivendo apenas para a nossa cria alheias ao mundo lá fora, alheias a nós mesmas. Estamos programadas pra isso. E isso nos basta.

Pois bem, você acorda um dia e percebe que seu pequeno esfuziante cresceu, sua casa não está mais como era antigamente, suas paredes estão rabiscadas, seu marido já não te olha mais com aquela cara de quem olha e come com os olhos, suas roupas não cabem mais e você não tem nenhum sapato novo de salto estonteante.

Não é justo.

Ser mãe é padecer no paraíso! Clichê! Mas estas palavras nunca fizeram tanto sentido antes.

Mas ser mãe vale a pena, inquestionavelmente, sim!

No entanto, as sementes florescem e o tempo passa – e como passa.

E pra onde foi parara aquela mulher feminina?

Sabemos ser mãe, sabemos ser donas de casa, cozinheira, profissional, mulheres na cama, exemplo, mas  naturalmente chega um ponto que é preciso resgatar, inventar e reinventar o compromisso consigo mesma.

Precisamos encarar a situação e nos preparar para o encontro com este novo eu, pois escolhas são embasadas em reflexões e o tempo não pode ser dramático e sim de construção.

Posso me preocupar em cuidar  do meu corpo, cabelo, unha, maquiagem, academia, massagem, alimentação,posso comprar roupas novas, ler um livro em um dia, um banho de 15 minutos sozinha no banheiro, se apaixonar por si mesma, um pouco de auto-estima, uma noite com minhas amigas e sem filhos, uma viagem com meu marido, sem as crianças e sem culpa?

Já queimamos os sutiãs. Escalamos o Everest. Governamos um país.

Mas ainda assim o comportamento social cultural dominante e seus paradigmas lideram a massa e impelem a imagem de que a mulher deve ser subserviente e submissa apenas a família.

Minha mãe, por exemplo, acha o cúmulo do fim dos tempos que eu ache normal que meu marido saia toda semana pelo menos um dia com os amigos, e ela só tem 47 anos.

Quando me casei o pastor me fez uma pergunta que reflito muito sobre ela até hoje, mesmo depois de três anos, e eu tenho certeza que a maioria, se não unanimemente, todas as mães (eu já era mãe) responderão o que eu pensei em responder.

“Se você tivesse que escolher entre seu marido e seu filho, o que você escolheria?”

Eu também, pensei!

E antes mesmo que eu lhe desse a resposta – que estava construindo em minha mente, ele disse: Errado!

Quisera eu ver minha cara de espanto pra transcrever pra vocês hoje, mas simples assim, eu fiquei atordoada com tal resposta dele.

E continuou: o filho cresce, ganha asas e quando menos espera tem um mundo inteiro pela frente e se você o escolheu estará sozinha dentre poucos anos. Mas se optou por seu marido este sim estará contigo pelo resto de seus dias.

Tá! É dolorido pensar em ambas as situações, no entanto com um pouco de reflexão chegamos a moral da história.

Mas confesso que fiquei intrigada, e ao invés de responder o que ele achou que iria responder eu perguntei: e se eu escolher a mim mesma?

As palavras soam frágeis e egocêntricas, mas no íntimo eu só queria expressar que eu posso, além de mãe e esposa mantenedora do lar, pensar em mim também, ser um pouquinho e singelamente eu.

Somos cobradas para que o nosso desempenho seja digno de nota em todas as funções que exercemos, e nos dedicamos de corpo e alma a isso, vivemos pra isso e despretensiosamente quando digo pensar um pouco na mulher em mim não quero dizer abrir mão de tudo que sou hoje, muito pelo contrário, eu só quero um espaço pra mim nessa corda bamba que eu me equilibro todos os dias. Mais que um desejo, uma questão de necessidade.

Vencedora, madura, forte, determinada, e acima de tudo mulher e realizada.

Um espaço em meu coração se abriu e eu sinto o vento no rosto novamente.

Minha família é meu tesouro, eu vivo por eles, mas por mim também. Se existe um espaço pra todos eles porque não pode existir um espaço pra mim?

O amor possui muitas faces, e o amor próprio é aquele essencial pra selar o compromisso com a vida, com as vidas.

Porque mesmo tendo conquistado tantas coisas, tantos passos e caminhos ainda assim não é nada fácil ser mulher.

Paixão pela vida e por aquela que você viu hoje cedo no espelho.

Um batom vermelho, e um brinde às mulheres.

E você? O que tem feito pela mulher em você?

Mulher e mãe

 Bom final de semana.

Beijos beijos

Natália Piassentini

 

 

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