Feliz Quinze anos meu bebê

Eu não sou uma pessoa que chora facilmente por qualquer coisa.

Isso pq me ensinaram, desde sempre, que expressar as nossas emoções é algo inconveniente e intolerável.

E quando a Giulia nasceu, há quinze anos atrás, ela também não chorou! Pensei: “uma extensão de mim mesma em forma de um bebê de olhos castanhos escuros que me encarava de volta”, ali naquele instante eu conheci de fato o que era ter medo.

E desde então, a vida passou tão rápido quanto escrever esse parágrafo, e hoje aquele bebê é maior que eu, meu eu tão mais alto e melhorado. Tão mais gentil e corajosa. Tão capaz de queimar meu coração em pedaços de vontade de proteger esse pedaço de mim, que ainda me ensina todos os dias, uma nova forma de sentir medo.

Como podemos deixar o tesouro mais precioso das nossas vidas perambulando por esse mundo a fora com suas próprias pernas e cérebro de quem vive a vida como se o mundo fosse acabar amanha? É insanidade pensar que podemos alimentar a mera ilusão de achar que eles são nossos, não são!

Quinze voltas em torno do sol para descobrir o quanto criar filhos de forma acolhedora é também um processo de cura. Cura da alma. Da nossa criança interior. Aquela que puxa a nossa barra da saia toda vez que precisa de cuidado, atenção.

E eu não consigo demonstrar o quanto nunca aprendi a lidar com você, filha! Que na verdade, é comigo, com a minha criança escancarada na tua face que eu não sei decifrar. Com o pavor desse encontro despretensioso com minha sombra que me assombra.

Então hoje eu chorei! Chorei com medo do tempo roubar de mim a única chance que tenho de te amar, agora.

Feliz Quinze anos! Meu bebê!

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