Empoderamento da Mulher!

Meus pais disseram: fracassamos! E agora é tarde demais pra você! Grávida aos dezessete anos, sua vida acabou!

Era uma tarde ensolarada de Abril, um calor de escorrer gotas de suor pela testa, e fazia alguns dias que eu estava fazendo uma bateria de exames para descobrir o motivo de tantas dores no estômago somados a vômitos intermináveis, que foram desde suspeitas desde úlcera, passando por gastrite crônica, a vermes intestinais e uma infinidade de internações com raio-x a cada hora!

Era meu último ano no colegial e eu já sentia o cheiro do futuro-pela-frente que enchia meus pulmões de medo com uma projeção do paraíso da liberdade, mas tudo bem, afinal, eu tinha a vida inteira pela frente.

Mas naquele dia tudo mudou. Depois de dois anos de namoro – que já não estava mais pra uma um namoro, pois ele iria mudar de cidade e já sabíamos que terminaríamos, descobri que todo aquele alvoroço pelas bandas dos hospitais e banheiros possíveis e inimagináveis de Campinas -, era uma nova vida que se formava na minha vida.

Grávida!

Eu passei de a menininha da família para a destruidora de sonhos-ovelha-negra que fazia tudo errado em questão de uma só palavra: positivo!

Eu nunca fui acima da média na escola, porém, todos tinham expectativas elevadas sobre minha carreira profissional, e não acho que isso seja ruim, pensando hoje na minha posição de mãe fica difícil julgar os pais. No entanto, agora eles estavam inconformados com aquela situação.

Familia religiosa, pai Militar… E eu, um ponto fora da curva!

Eu sentia como se, por mais que eu me esforcasse, por mais que eu tentasse, eu jamais conseguiria ser alguém notável!

(O poder do discurso dos nossos pais! Você pensa nisso hoje em sua condição de pai?)

Quando você escuta de seus pais que sua vida não tem mais jeito, automaticamente você cria uma barreira, você invoca traumas que poderão ser cultivados pela vida toda.

E então eu tentei fazer Direito, tentei impressiona-los, mas larguei a faculdade no segundo ano. Outra decepção para eles! Dai corri pra Psicologia e estava até gostando da ideia de ser uma pseudo-neuro-alguma-coisa, mas no auge dos meus 26 anos, casei, e logo depois do casamento, descobri que estava grávida da minha segunda filha e descobri que nada era mais importante que a minha família!

Nasceu com ela uma consciência tão primitiva quanto dar à luz, veio à tona as minhas sombras mais arcaicas e profundas, escutei o uivo das mulheres que correm com os lobos, é dei de cara com alguém que eu era e não gostei nenhum pouco!

Perecebi que tinha então duas escolhas: ou continuava nesse caminho de ser alguém baseado nas expectativas dos outros, naquilo que é esperado, ou vivia pelos meus próprios valores.

E da maternidade ninguém sai ileso! Não duas vezes!

Embora eu tivesse motivos para ter raiva dos meus pais, eles me acolheram e acolheram minha filha, mas eu entendi, e na realidade a grande verdade é que vivemos numa sociedade machista, que fragiliza e vitimiza a mulher, e que quando entendemos que essa cultura imposta é social, entendemos que meus pais só queriam o que era melhor pra mim! O que era melhor para a filha deles. E a sociedade não está preparada para receber uma mulher grávida aos dezessete anos. Não está!

(Não vou entrar no mérito do feminismo, até porque me considero mais humanista do que feminista, por N vertentes e ondas que pregam igualdade, mas só vejo retóricas em prol de si mesmas com um chamado a revanche e vingança contra os homens. E se é igualdade, é igualdade né?! Enfim!)

Mas a maternidade, e a maturidade também, provocou em mim as mudanças necessárias para que eu tomasse consciência de quem eu era, não alguém alicercado  no outro, mas alguém que construíu sua própria identidade, que buscou o fundamental para sair daquela zona de conforto e mudar a realidade sua e a sua volta.

E o passo fundamental para conhecer alguma coisa é intimidade com ela, eu mergulhei nos livros, nos cursos, nas pessoas e profissionais sobre o mundo da maternidade, para ter o principal para minhas escolhas; uma base sólida que me desse segurança, é tudo fez sentido pra mim.

E foi então que eu encontrei o caminho do Empoderamento. Desnudei sentimentos e emoções tão enrraizadas que fizeram sangrar e quebrar todos os meus ossos!

E  nao aceitei mais estar na média! Eu queria ser uma esposa, uma mãe, uma profissional extraordinária, e que isso fosse o motivo dos meus sorrisos todos os dias.

E a moral da história é que você pode até tentar ignorar o fato de que existe dentro de você uma verdadeira EU, que se incomoda com as rachaduras que causam traumas emocionais na sua vida, que se incomoda com o abuso na sua auto-estima, que se incomoda com aquela que tinha tantos sonhos, mas foram sufocados por imposições, dogmas e paradigmas, mas um dia ela vai te cutucar, e quando você perceber o poder que você tem, o poder que a mulher tem, minha amiga, você vai longe!

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Esse assunto imergiu depois de um convite irrecusável para um bate-papo sobre Empoderamento da Mulher numa Exposição para mães em Campinas. A Expo Mamãe, vai muito além de uma feira, será uma exposição com conteúdo e informação. Em que eu, e outras blogueiras e blogueiros vamos deixar o palco do www para subir no palco da cara lavada sem papas na língua. Borá lá? Dia 14/09 às 18h no Shopping Dom Pedro. Entrada gratuita!

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Com amor, Naty

 

 

 

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