Sobre o parto

nascimento

Como vocês leram aqui o Bruno Piassentini, pai da Maria e meu marido, relatou sua visão aprofundada com relação ao nascimento da nossa filha após assistir ao filme lançado no mês passado no Brasil “O renascimento do parto”.

Sua indignação com todos os procedimentos desnecessários que já suspeitávamos estar errados de acordo com toda informação que havíamos adquirido ao longos desses dois anos e sete meses após o parto foi declarada. Um atestado de impunidade e violência em nossas mãos. Uma falta de respeito com o ser humano e com a vida.

Depois que assistimos o filme resolvemos analisar as fotos da cesárea e a primeira coisa que notamos foi um hematoma no rosto da nossa filha. Na época me perguntei o que seria, uma mancha de nascença? Meu marido que assistiu a cesárea de camarote comentou na época que ficou indignado com a forma que o Dr. Obstetra puxava a cabeça do bebê, a força que ele usava, e chegamos então a conclusão de que ele havia machucado o rostinho dela, como você pode reparar na foto abaixo:

recém-nascido

 

Nós frequentamos cursos e encontros de gestantes na gestação. Mas nada foi tão intenso e emocionante – um soco na boca do estômago – quanto o filme. Uma lição de vida. A respostas para todas as perguntas dos dias de hoje. Uma carrada de luz no escuro da cegueira que somos tomados pela imposição do comportamento cultural dominante sobre o nascimento dos nossos filhos.

Recebi vários e-mails com várias perguntas e depoimentos, é realmente maravilhoso sentir que muitos querem se informar e se dedicam a isso de uma maneira completa. Muitos pais preocupados com a forma que receberão seus filhos, com o bem estar deles. Mas por outro lado ainda existem muitos que se deixam levar pelos mitos e achismos da nossa sociedade. Triste. Mas eu acredito que podemos mudar o mundo. Não iremos desistir!

Algumas mães mandaram e-mails pedindo o meu relato sobre o parto. Na verdade não tive um parto, fiz uma cirurgia, uma cesárea. Mas só pude perceber isto depois. No entanto, no post abaixo ainda me refiro a cesárea como parto.

Posto logo abaixo um relato que fiz para o site Bebe.com.br a algum tempo atrás. E ainda vivo firme na esperança de que um dia todas as mulheres possam ter seus filhos com respeito, com dignidade, e somente assim, mudando a forma de nascer é que mudaremos o futuro dos nossos filhos.

“É a coisa mais linda, surreal, desconcertante e parecida com um sonho que já me aconteceu!
Certamente se você é mãe vai identificar qual ocasião nos levam a esta constatação: O dia do nascimento dos nossos filhos.

Mergulhada num turbilhão de emoções antes, durante e depois deste momento só conseguia pensar no instante em que em meus braços se materializaria aquele que por longos e ansiosos nove meses foi um pontinho luminoso que habitou as profundidades do meu umbigo e assim me apaixonar veementemente por ele. Mas o que era para ser a realização do momento mais esperado da minha vida se tornou em fração de segundos o mais temível, inimaginável e mortificante pesadelo.

Lembro-me perfeitamente da umidade gelada do ar, da cor branca predominante daquela sala, do incomodo aos meus olhos da cor azul marinho dos aventais dos enfermeiros, dos médicos e principalmente daquele pano enorme na minha frente cobrindo e me impedindo de ver o que deveria ser o momento mais inesquecível aos olhos de qualquer ser humano – o nascimento de um bebê.

Estava apertada demais aquela amarração que estendia meus dois braços abertos como uma cruz e evitava qualquer movimentação, a não ser as pontas dos dedos e pescoço, me impedindo de qualquer ato criminoso. Presa, amarrada, eu só conseguia pensar em que tipo de ato poderia eu, anestesiada da cintura para baixo, fazer que levasse aquelas pessoas a me amarrar de forma tão desagradável. Porém, a adrenalina era tanta que me sentia confortavelmente tranquila só de imaginar que em poucos segundos o mais novo amor da minha vida estaria me olhando e sorrindo pra mim e que a partir daquele instante o cordão nos dividiria e então um abraço nos uniria definitivamente.

O obstetra balbucia: Ela é tão…tão…pequena!

Devaneios em meus pensamentos, muitas definições para “pequena” e, foi então que fui tomada por outro sentimento. O seu choro. O meu choro. O seu rosto. Os seus dedos. Os traços. O cheiro. O meu amor. Alguém a segurando a não ser eu, e que tinha as unhas vermelhas, me incomodou profundamente!

Aquelas amarrações eram um crime torpe repugnante naquele momento em que eu só queria segurá-la, e não me deixaram. Mas eu respirava fundo e só pensava no instante seguinte, só mais um pouquinho e mais nada estaria entre nós.

A levaram para realizar todos os procedimentos que um recém-nascido deve passar ao nascer e foi quando o clima ficou tenso, um silêncio perturbador tomou conta daquela sala fria que parecia nevar a não ser pelo choro desesperado e angustiante da minha filha que mais parecia um grito de socorro chamando por mim.”

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